NÃO TEM GENTE QUE VIAJA NA MAIONESE? AQUI, A GENTE VIAJA NA MADELEINE
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Viajando na Madeleine
Aline Canejo
15/07/2009 23:20 A volta dos que não foram Após um longo e tenebroso inverno, volto a escrever sem mais nem por quê. Muita coisa se passou, pessoas se foram, empregos vieram e cá estou aqui para contar histórias.
Talvez eu seja uma gata borralheira à espera de uma noite de gala mesmo...
Madeleine me cutuca e diz que ela também despertou do inverno rigoroso em que esteve na França. Gente chique é outra coisa, né???
Conto ou não conto suas proezas? Me aguardem. Aline Canejo | comentários(0)
22/10/2007 11:47
Atenção! Esse blog é da Aline mesmo! Aline Canejo | comentários(2)
28/12/2006 13:04 Trompe l’oeil Resolvi enfrentar as intempéries da alma, indo a Bairro Velho. No local, durante muitos anos houve uma história. Qual exatamente não sei precisar. Mas, após percorrer um longo caminho, passando por ruas de pedra irregular, outras mesmo de areia batida, avistei aquele monumento ao passado. Aliás: sempre os tempos idos...
O prédio, de três pavimentos, deveria ter uns 70 anos, pelo menos. Estava acabado: janelas quebradas, entulho, poucos móveis imundos. Todo tipo de marca que uma casa pode ter quando se é devastada pela força das emoções humanas.
Vi Lucas de calção escuro, sem camisa, me acenando displicentemente do segundo andar. Gostava de andar pelos corredores, cigarro e cerveja na mão, dia e noite. Alvíssimo, louro do olho azul, ele batia os pés no assoalho feito um soldado alemão do pós-guerra.
Tínhamos uma ligação mental. Diria até metafísica. Ele sabia quando eu chegaria e eu sabia quando eu deveria me retirar. Eu queria, porém, reverter a história. O dia era aquele – o meu. A casa – a minha, oras!
Lucas sorriu meio debochado, meio simpático. Gritou da sacada, convidando para eu entrar. Subi o lance de escadas, olhando a sala, imensa, toda revirada. Ele me recebeu da maneira habitual: oferecendo um gole de bebida.
“Vou num instante lá embaixo pegar mais cerveja. Fique à vontade” – falou. Aproveitei a oportunidade para checar o terreno. Banquinho, correspondências antigas minhas amassadas, suspensórios caídos no chão, de um lado. E garrafas vazias, livros cheios de traças, partituras amareladas, tabuleiro de xadrez, de outro.
Nossa relação pertencia tanto a outro plano que compreendi perfeitamente o fato dele não voltar mais. Ou melhor: entendi, de imediato, a missão.
Fiquei morando na casa sozinha. Só havia água lá. A luz foi cortada. Ao menos, tinha um velho fogão a gás. Seria suficiente enquanto não pensasse em uma boa maneira de me sustentar sem viver da rua de novo.
O tempo foi passando e fui fazendo amigos na região. Embora não muito povoada, a área ainda possibilitava a existência de vizinhos. E eram eles que me davam alento quando a noite se punha.
Todo dia, ao anoitecer, esquentava um pouco de água e fazia um chá ou um café para mim, antes de ir para a casa de algum vizinho me aninhar, ver televisão, jogar cartas - essas coisas corriqueiras das pessoas normais. Depois de tomar algumas xícaras com biscoitos, desligava os fogareiros e conferia se havia trancado todas as portas. Então, partia para a casa dos amigos.
Porém, certa vez, deixei passar o tempo no quintal, catando as folhas secas das árvores, pensando na vida. Lembrei-me de uma ocasião em que eu estava no centro do Rio e vi um homem vendendo chapéus feitos de folhas. Por que não eu poderia fazer aquilo também?
Fiquei maravilhada com a descoberta. Precisava contar minha idéia a alguém. Olhei rapidamente as portas, mas não me concentrei tanto no ritual, pois sabia que tudo continuava na mais perfeita ordem. Nem o meu habitual chá eu tinha preparado. Portanto, não existiria nenhum risco.
Quando quase adentrava o portão da varanda de Fernanda, minha vizinha e amiga predileta, me bateu uma dúvida cruel: tudo se encontrava em ordem mesmo? Voltei ao prédio.
A noite já havia subido. No entanto, fui com a cara e a coragem pelo quintal ermo. Pisei firme pela sala do primeiro andar, seguindo pelos cômodos do térreo até chegar à cozinha.
O fogo estava aceso. Uma panela fervia água, tal como tivesse posto ali o recipiente do modo costumeiro. Achei estranho, contudo reservei-me apenas ao gesto de desligar o fogareiro. E nada de apagar. Eu tentava, tentava, mas nada. E as labaredas cresciam, cresciam. Um pote de margarina, próximo à pia, começou a derreter.
E o fogo se consumindo. As chamas queimando o ambiente. Surtiu um efeito de pânico. Pensei: esse bujão vai explodir! De onde vem isso? De onde vem isso? – mais um pensamento daqueles de um segundo. Só foi o tempo de eu correr desesperada, berrando.
Foi uma explosão fenomenal. Até hoje, não sei como estou viva. Nos escombros, feito os velhos filmes de amor, encontrei uma carta intacta, endereçada a mim.
“Querida Karen,
Nos níveis mais elevados do amor, há maneiras diversas de expressá-lo. A minha foi essa. Os ancentrais sempre queimavam determinados locais para depois começar a cultivá-los. Arrancam tudo o que há de ruim, velho, seco, para erguer uma nova obra. É praticamente um ritual de purificação. Então, purifiquei esse nosso local para você. Eu sei que você entendeu a sua, a nossa, missão aqui. Agora, não haverá mais medo, não haverá mais dúvida. Construa outra casa da maneira que mais lhe aprouver, plante bastante, faça seus chapéus floridos e me esqueça”. Aline Canejo | comentários(6)
06/11/2006 16:38 A Reuters divulgou Segunda, 6 de novembro de 2006, 10h49
Site iniciante transforma fãs de música em investidores
Não há como dizer quanto valeria um investimento de US$ 10 no U2 feito em 1985, mas um site recém-lançado chamado Sellaband está oferecendo aos fãs de música a chance de colocar dinheiro nos artistas que acreditam que serão capazes de galgar o topo das paradas de sucesso.
A empresa sediada em Amsterdã permite que fãs - ou, em sua terminologia, "crentes" - invistam em bandas ou músicos ainda não contratados por gravadoras, em incrementos de US$ 10. Assim que os investimentos atingirem os US$ 50 mil, o artista conquistará acesso a um estúdio de gravação e serviços profissionais de produção, composição e marketing.
"O que esperamos é que isso venha a oferecer aos músicos, especialmente aqueles que nunca conseguiram assinar com gravadoras, uma chance de fazer algo que jamais fizeram, e alguma vantagem competitiva", disse Adam Sieff, ex-diretor de jazz na Sony Music na Europa, que trabalhará com artistas da Sellaband. "Não será o único caminho, mas em um setor desesperado por modelos de negócios novos, isso oferece novas oportunidades aos músicos", afirmou.
O investidor receberá uma cópia grátis do CD, participação nas vendas do disco e uma parcela nas receitas publicitárias geradas pelo site, www.sellaband.com. O Sellaband reterá 40% da receita auferida com editoração de música, mas zero da receita gerada pelo trabalho gravado. "Se nosso plano é eliminar o intermediário, não devemos agir como intermediários", disse Johan Vosmeijer, diretor executivo da Sellaband e ex-executivo da Sony BMG.
Uma banda feminina holandesa de rock gótico chamada Nemesea deve ser o primeiro grupo a atingir a meta de financiamento, depois que dois fãs começaram a duelar por participação maior no processo. "Elas levaram nove semanas para atingir US$ 25 mil em investimentos, e mais duas semanas para chegar aos 45 mil", disse Vosmeijer. O site mostra, na manhã de hoje, um banner comunicando que as meninas alcançaram os US$ 50 mil.
Vosmeijer disse ainda que já havia sido abordado por empresas de capital de risco interessadas em adquirir a Sellaband, mas que ele e o sócio pretendem manter o grupo independente.
29/10/2006 20:07 Palavras Perdidas Adoro esta cara de emburrada da Maysa. A cantora de "Meu mundo caiu" personificava suas músicas. Era sempre aquela expressão de "a vida é um fardo". Abaixo, para não ficar no feijão-com-arroz, resgatei uma canção das bem depressivas dela, a "Palavras Perdidas", da trilha da novela Bandeira 2. Cortem os pulsos, crianças!
Palavras perdidas
(Reginaldo Bessa )
Ah, ah se eu pudesse falar
Com tanto em meu coração
Pra receber e pra dar
Ah, quantos silêncios chorei
Quantas verdades que eu sei
A vida me fez calar
Lá no meu mundo, no fundo
Segredos , enredos eu vivo a guardar
Quantas palavras sentidas
No rosto traídas
Perdidas no olhar
Vou, vou pela vida rolar
Com tanto em meu coração
Pra receber e pra dar
29/10/2006 19:56 Como a natureza é fantástica! Depois dos bonobos, aqui já citados, eis que encontro o tal "macaco narigudo", na edição de 7 de outubro do Globinho (é, gente, eu leio Globinho). O bicho tem o maior nariz entre os primatas e vive na Ilha de Bornéu, no oceano Pacífico. Dizem que a protuberância nasal do animalzinho pode chegar a 17,5 cm. Ai, a natureza!!!! Aline Canejo | comentários(7)
17/10/2006 22:11 Dener, o luxo O costureiro e uma de suas esposas
Nestes dias de Clodovil no Planalto, só resta a mim e à Madeleine relembrar de Dener, o homem-luxo dos anos 70. Estou para escrever há tempos este post homenageando este grande estilista brasileiro, uma figuraça ímpar, que coloca Clô no chinelo. Sim, isto desde que comprei em um livreiro da Uerj a tal auto-biografia em que o homem "conta tudo". O livro custava R$2,00 e paguei R$1,00, sabe-se lá o porquê.
Aliás, em tempo, a filha da Gretchen, a Thammy Miranda, também está "contando tudo" sobre sua homossexualidade recém adquirida. A diferença é que ela cobra R$3mil por entrevista. Well, prefiro pagar R$1,00 pelo Dener.
Mas, voltando ao moço, os depoimentos de Dener são assim... uma coisa!!!Vejam só:
"O que eu pude fazer para chocar e chamar a atenção eu fiz".
"Há uma diferença grande entre mulher bem vestida, mulher chique e mulher elegante. Agora criei uma nova categoria: a mulher-luxo"
Ouvi dizer, inclusive, que ele foi uma das primeiras pessoas aqui no Brasil a usar anéis nos dedos dos pés. Lançou moda este menino lá de Belém!
Bom, essa aqui só foi um tira-gosto bem corrido para meus fãs não reclamarem mais que eu não escrevo. Daqui a pouco, tenho novidades.
07/09/2006 18:28 Muito estranho Mas se um dia eu chegar muito estranho. Deixa essa água no corpo lembrar nosso banho
O porteiro do clube tem mania de colocar músicas de priscas eras no cd player da guarita - desde todas as canções da ópera Carmen até as pérolas setentistas as quais tanto amo. E, ontem, eu jurei ter ouvido "Muito Estranho", do Dalto. Ok, os mais chatos vão dizer que a música é de 1982, mas, convenhamos, ela tem uma sonoridade riponga até o último fio de cabelo do cantor em questão.
E foi descendo as escadas sob essa melodia imaginária (ou não) que fui andar após o almoço na Praia Vermelha. Após um dia nublado, chuvoso e frio, havia feito uma quarta-feira pré-feriado até que interessante: sol no horizonte e apenas um friozinho. Ou seja, era um convite para um passeio digestivo.
Pé ante pé, procurei contemplar a paisagem rotineira da Urca: turistas tirando foto, criancinhas jogando bola com suas babás e, é claro, milicos aos montes. Eis que, de repente, vi um saco plástico preto enorme no calçadão da praia.
Nestes tempos bicudos, poderia ser mais um mendigo se protegendo das intempéries da natureza. Porém, a minha parte Tico bateu um lero com a do teco e conclui rapidamente que mendigos dificilmente "moram" em áreas militares com as da Urca. Muito menos no meio da orla.
Então, olhei para frente e avistei uma viatura dos Bombeiros. Evidentemente, havia algo de muito errado acontecendo por ali.
Uma mulher negra, de uns 30 anos, vestindo um pulôver rosa e lilás e de cabelos alisados super pretos, parecia estar a par da situação.
- Ei, moça, você sabe o que aconteceu por aí? - resolvi perguntar.
- Ah, menina, esse cara acabou de morrer afogado. Coitado! Era cego. Me disseram que ele e mais dois amigos também cegos foram passear na praia. Os bombeiros demoraram à beça a chegar. Os pescadores é que salvaram eles. Só esse cara aí que morreu. Coitado...
Incomodada com o fato desesperador de ser deficiente visual (o jornalismo é politicamente correto) e morrer afogado, agradeci e continuei o (curto) percurso da praia.
As ondas continuavam a bater de ressaca, os alunos da Escola Municipal Gabriela Mistral continuavam a olhar maravilhados o mar, os soldados da Eceme continuavam a postos, os turistas continuavam a tirar fotos, um casal com ar "meu bem, eu te amo mais que tudo" continuava a namorar e o "cara" - que depois descobrimos ser o paulista João Donizete da Silva, 49 anos - continuava a jazer. Por umas cinco horas pelo menos até tirarem o corpo dali.
O tal homem só tinha vindo ao Rio para um torneio de futsal no Instituto Benjamin Constant, imaginem. Apenas foi à Praia Vermelha para brincar um pouco com a areia, com a água do mar, vejam só!
Provavelmente, o cidadão estava à procura de liberdade. E deve ter sido tão grande seu anseio que ele conseguiu. As ondas concederam-lhe o pedido. Embora, para isso, ele tivesse que ficar feito um indigente na rua.
Mas, como já disse algumas vezes, a vida passa e compassa. Voltei para o trabalho. Teria que atender a pessoas interessadas em festas e entrevistas.
Tantas vezes eu quis ficar solto(...) Porque ninguém vai dormir nosso sonho...
26/08/2006 18:58 Futuro Didi era meu chefe. E, tal os magnatas de dois segundos, acabara de dar mais um ataque. A testa de Didi suava em bica, as têmporas saltavam do rosto moreno e enrugado de tanto furor diário, a garganta insistia em reafirmar meu lugar de subalterno. Didi, ou melhor Diocleciano Mattos, era coroa. Mas, digamos assim, um desses tipos muito enérgicos.
Nessa época, eu morava na Pavuna, perto da fábrica onde trabalhávamos. No início daquela década, as organizações resolveram apostar em “projetos sociais comunitários”, especialmente os ligados a esportes. Pegava bem, entende? Sabe como é...Em nosso caso, uma indústria de cosméticos com tudo por debaixo dos panos, seria ótimo apoiar a juventude, o futuro do país...
Meu barraco ficava a dois quarteirões do batente. Almoçava em casa, economizava no ticket-refeição, não precisava enfrentar trânsito para voltar... Ganhava pouco, mas nem tinha estresse. Vivia e tão somente vivia. Num bairro pobre do Rio de Janeiro, solteiro, vinte anos, fã do Zico, vindo do interior – Miracema, e já acostumado a qualquer marasmo.
Daí, ficava pensando: por que meu chefe gritava tanto? Uma irritação permanente!
- Sobe aqui, seu imbecil! Quantas vezes tenho que chamar você, Luiz? – Didi não estava para brincadeira. Poderia ser o primeiro, o segundo ou o terceiro pedido: ele sempre dizia “quantas vezes eu lhe chamei?” Talvez isso reforçasse o poderio do homem na frente dos empregados.
Assim, fui à nossa suposta sala de trabalho. Sob um calor anestesiante, galguei os degraus da escada até nosso “ambiente laboral” da semana: uma pequena quadra de futebol, no terraço da empresa.
Desta vez, o nervosismo de Didi, assim chamado por uma leve semelhança com o jogador, devia-se à sua atuação como juiz (e eu de gandula forçado).Na teoria, ele tinha é que ficar gozando o cargo de chefia no setor comercial. Mas não: hoje ele estava alegre por ter abdicado da sala “ar-condicionada” e do cafezinho bem quente às 15h30.
Enquanto a partida não começava, os meninos do “projeto social” esquentavam os pés para a final do campeonato daquele ano. A quadra, ao ar livre, muito da vagabunda, um chão todo mal remendado, não desanimava a importância do evento. Mesmo eu, um eterno gandula, me peguei maravilhado com as pernas ágeis dos moleques já no aquecimento.
Tudo se tornou mais claro ainda quando o jogo teve início. Garotos negros, muito pobres, travavam suor e alegria, um futebol latente, vivo. Quiçá fosse a chance de suas vidas! E Didi, mesmo passado dos 50, tinha um fôlego de dar inveja!
O melhor foi, após a pelada, o belo churrasco na casa de Meninão, 14 anos, o artilheiro da disputa. A empresa bancou a carne, os refrigerantes e todos os outros comes e bebes. Eu, distraído com meus pensamentos, acabei surpreendido pelo estranho olhar e sorriso de Didi.
Vou ser seu empresário!
Didi parecia encantado com a performance de Meninão.
Tenho uns amigos no Botafogo. Você vai ser o novo Garrincha!
E abraçava o garoto, um mulato esguio e bonito, com a emoção de um canastra.
Para um marketeiro profissional, tudo valia. Até ser árbitro de time de subúrbio. Desde a minha chegada à fábrica, não vira mais aquele brilho nos olhos de Didi. Diocleciano. Para mim, sempre Didi. O pai que nunca tive. O negociador de testes no Flamengo, quando me viu jogar pelada com outros funcionários. Deu mais do que colo e sonho de aluguel a um garoto caipira e diferente.
Percebi algo, então, tanto tempo depois. Eu, Luiz, não passava de um zagueiro mal reconhecido pela torcida. Nem isso, acho – porque defender eu não me defendia mais. Era apenas um contínuo e ponto.
14/08/2006 09:27 No llores, mi querida, Dios nos vigila Eu tenho a boca que arde como o sol, o rosto e a cabeça quente
Com Madalena vou me embora, agora ninguém vai pegar a gente
Numa estrada árida, terracota, cheia de sol do Texas, o américo-chicano, tipo caubói, está parado, olhando incólume um jipe que passa em alta velocidade. O carro destroça o pouco de vegetação que ainda há pelo caminho. O caubói continua impassível.
A situação muda somente quando eu chego ao centro de convenções especiais que está sendo construído na região. Baratas e lacraias, egressas do carro visitante imundo, encontram na umidade daquele oásis o ambiente perfeito para construírem seu reino.
Pilastras e mais pilastras da única área do deserto detentora de água eram governadas pelos seres invertebrados. Um novo trono estava sendo delineado ali. Lá, punha-me apenas em caráter passageiro, trabalhando para mais uma minuciosa pesquisa da Dom Quixote Multiempreendimentos.Havia gostado tanto do Apart Mall que acabei pedindo um emprego no escritório matriz da mega-empresa. Resultado: me dei bem. Viajava a todo instante.
Como profissional seriíssima, procurei não dar muita bola para a quantidade absurda de animaizinhos. Na realidade, tinha sido enviada ao deserto com o objetivo de descobrir novas raças de bichos que poderiam exterminar qualquer um em questão de segundos, se não fossem detectadas a tempo. A cúpula da Dom Quixote sabia sobre o possível ataque na região. Mas nunca pensei estudar periplanetas americanas e scolopendras. Quanto mais ser enredada por algo sempre julgado insolúvel por mim.
No momento em que a lacraia-mor ordenou às castas menores para me atacar, senti que ia morrer ridiculamente. De repente, o ágil caubói marlboriano me salvou das garras intrépidas das mil-pés e ainda pisou em muitas baratas kafkanianas. Depois, jogou-me na parede, mais propriamente contra as pilastras, fez-me passar o medo, o medo e o medo.
07/08/2006 11:22 Eu, hein? "Líder mundial no mercado de ficção para mulheres, a XXXXXX está presente em mais de 90 mercados internacionais. E desembarcou no Brasil no primeiro semestre de 2005 através de uma joint venture com o YYYYYYY para liderar o filão da literatura romântica no país. Uma pesquisa realizada pela ZZZZZZ revela que 74% das leitoras de livros de bolso têm diploma de pós-graduação. Segundo uma pesquisa no site da XXXXXXX, 60% das leitoras estão no sudeste, são majoritariamente solteiras e mais de 76% trabalham fora."
Gente, a coisa tá séria! Se a mulherada com diploma está lendo isso, imagina as outras.... Aline Canejo | comentários(16)
29/07/2006 02:38 Feijão com arroz literário
Madeleine pega em um momento de leitura
Para você que não quer fazer feio numa roda de amigos literatos! Faça bonito! Finja que você lê horrores, manja à beça de livro e tem dinheiro para comprá-lo.
Brincadeiras à parte, Madeleine e eu selecionamos alguns trechos interessantes da literatura brasileira para trocarmos idéias. Certamente, determinados textos são polêmicos, mas fizemos questão de colocá-los aqui a fim de instigar os leitores.
Ainda bem que existem uns maravilhosos. O meu preferido é o de número 7. Quem acertar a autoria e o livro, ganha um doce! Aliás, alguém consegue descobrir todos os escritores e correspondentes obras?
Vejam, analisem, comentem
1 "Minha terra tem palmeiras/onde canta o sabiá/as aves que aqui gorjeiam/não gorjeiam como lá"
2"Ai que saudades que eu tenho/ da aurora da minha vida/da minha infância querida/que os anos não trazem mais"
3"Amor/humor"
4"Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança essas memórias"
5"Fui dar em Budapeste graças a um pouso imprevisto quando voava de Istambul a Frankfurt, com conexão para o Rio"
6"Ou guardo dinheiro e não compro doce/ou compro doce e não guardo dinheiro/ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo.../e vivo escolhendo o dia inteiro!"
7“E sou assombrada pelos meus fantasmas, pelo que é mítico, fantástico e gigantesco: a vida é sobrenatural”.
8"Na última noite, apenas estremecia de leve e, aos poucos, se aquietou. Cansado pela longa vigília, cerrei os olhos e adormeci. Ao acordar, percebi que uma coisa se transformara nos meus braços. No meu colo estava uma criança encardida, sem dentes. Morta".
9"As mulheres e as crianças são as primeiras que desistem de afundar navios"
10 "Amar o perdido deixa confundido este coração/ nada pode o olvido contra o sem sentido apelo do não/as coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão/mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão" Aline Canejo | comentários(13)
20/07/2006 22:14 Pensando naquilo Imaginem bastante besteira, meninos, enquanto é tempo. Porque, se for mesmo verdade essa tal de Cidade do Sexo, não vai mais ter chance de qualquer fantasia sobre os bordéis românticos de outrora. Segundo a Revista do jornal O Globo do último domingo, o projeto é fruto da mente prodigiosa do jovem Igor Vetyemy, 25 anos. O gatinho em questão recebeu nota dez da banca examidora da Faculdade da Arquitetura e Urbanismo da UFRJ pelo ousado trabalho de final de curso.
Mas de gatinhos e boas intenções, o inferno está cheio. E, assim sendo, o moço propôs um "centro de erotismo" em Copacabana (onde mais?) reunindo boates, motéis, casas de swing e derivados.
A maior parte dos entrevistados, entre eles Sônia Braga, foi favorável à referida Cidade. No entanto, a única pessoa em sã consciência na matéria foi justamente Gabriela Leite, presidente da ONG DaVida(aquela da Daspu).
- Qualquer idéia de se confinar as práticas e o que for relacionado ao sexo num único lugar é totalmente retrógado - argumentou Gabriela.
Suspeita-se que o rapaz seja o tipo tão bem delineado por meu direto padrasto: o homem que soltou pipa da janela do apartamento e jogou bola de gude no tapete quando menino. Esses seres quando crescem concebem coisas desse naipe. O Ítalo- que está ao meu lado agora me cutucando- prefere não acreditar em bizarrices do gênero.
- Ms Canejo, esse cidadão tem é que ler Jung! Essa parada é coisa de classe média que fode mal!
Da sala de estar, onde viajava assistindo a Páginas da Vida, Madeleine entrou na conversa, gritando:
- E vocês viram o capítulo de sábado da novela? Hahaha! Naquele depoimento de pessoas comuns, uma dona bem pobrezinha resolveu contar que se masturbava.Pra quê? Deu na coluna da Patrícia Kogut que a galera ficou chocada. Mandaram cartas iradas para a Globo. Hahahaha!
Foi um fato muito interessante esse da Madeleine. José Mayer e a Natália do Vale podem, mas a senhora velha, desdentada, não.
Curiosamente, na mesma Revista há uma matéria sobre a vida dos bonobos, simpáticos macacos habitantes do Congo. Extremamente pacíficos, os bonobos são controlados pelas fêmeas e fazem sexo o tempo todo. Estima-se que 75% das relações sejam apenas por prazer.
Ítalo não gostou muito da idéia, mas Madeleine e eu chegamos a uma brilhante conclusão: na próxima encarnação, queremos ser bonobas! Aline Canejo | comentários(12)
20/07/2006 10:00 Enquanto escrevo o novo post, Robertão para vocês! Sua estupidez
(Roberto Carlos - Erasmo Carlos)
Meu bem, meu bem
Você tem que acreditar em mim
Ninguém pode destruir assim
Um grande amor
Não dê ouvidos à maldade alheia e creia
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo. Meu bem, meu bem
Use a inteligência uma vez só
Quantos idiotas vivem só sem ter amor
E você vai ficar também sozinha
E eu sei porque
Sua estupidez não lhe deixa ver
Que eu te amo.
Quantas vezes eu tentei falar
que no mundo não há mais lugar
Pra quem toma decisões na vida sem pensar
Conte ao menos até três
Se precisar conte outra vez
Mas pense outra vez, meu bem, meu bem
Eu te amo. Meu bem, meu bem
Sua incompreensão já é demais
10/07/2006 11:45 Direito de resposta Todo mundo tem direito à voz. E não poderia negar isso à Madeleine, que ficou um tanto abalada por meu texto de 23/06.Embora fosse uma homenagem a ela, minha amiga resolveu desabafar neste e-mail transcrito abaixo:
Caríssima,
Se eu não fosse sua amiga, Ms. Canejo, eu lhe chamaria de canalha. Porém, prefiro me utilizar da força da pena, ou melhor do teclado, para mandar meu recado a você.
Em vez da linha sarcástica-jocosa com a qual me define, já pensou no sofrimento alheio? Há pessoas, iguais a mim, que passam tempos e tempos, em busca de algo que as façam menos miseráveis. Ou, no mínimo, alguma coisa a fazer sentir um pouco de reconhecimento e humanidade.
No meu caso, aprecio bastante vagar por aí, sozinha, acompanhada por meus livros. Enquanto não encontro alguém que me escute devidamente, vou procurando achar respostas dentro deles. E, assim, vou testando, testando, testando...
Minhas histórias são prosaicas, tristes até. De modo geral, sou a estranha, a esquisita, a mulher-rococó e, muitas vezes, a mulher-diversão. Sirvo como entretenimento para a alta classe e atração de circo para os populares.
Mas não perco nunca a fé, amiga. Guardo sempre a esperança de um dia ter a chance de ser enxergada, de parecer a todos uma pessoa digna de amor. De ter direito também ao mundo de afeto.
E isso vale para mim, para você, para a moça da esquina, para o garoto do bar, para o escritor maldito e, também, para o rapaz aí ao seu lado – principalmente este, menina, que você deseja tanto e tem vergonha de dizer isso tudo e mais um pouco da verdade.
03/07/2006 00:30 Truques psicodélicos O blog já consta na busca do Google. Agora, só falta aumentar o número de visitas.
Como sei que, mesmo divulgando educamente via e-mail e msn, poucas pessoas viriam aqui à procura de grandes pensamentos filosóficos, resolvi adotar métodos que vão de encontro à minha natureza. A força capitalista do marketing me impele a fazer isso! C' est la vie, chérie!
Por isso, vamos ver se, escalando um time de beldades de outrora, o povo me visita. Pelo menos, é uma alternativa para quem não agüenta mais Ronaldo Fenômeno, Raica, Ronaldinho, Débora Secco, Luana Piovani, Gianechinni e afins. Pensando bem, os Ronaldos não são lá essas coisas...Mas, oh, desculpe...Esqueci que são cheios de $ex appeal.
Contemplem, pois, meus caros leitores, os bambambãs setentistas:
Rose di Primo
Gretchen
Pedrinho Aguinaga
Vera Fischer
Carlo Mossy
Helena Ignez
Aldine Müller
Maria Schneider
Sônia Braga
Lauro Corona
John Travolta
Olívia Newton-John
Kate Lyra
Mário Gomes
Nádia Lippi
Donna Summer
Se vocês discordarem da beleza de algum deles, lembrem-se que, certamente, alguma coisa eles têm de borogodó, queridos. E, falemos sério, é isso que importa, não? Aline Canejo | comentários(4)
01/07/2006 23:40 Nos pescoços das Chandon Todo mundo que me conhece um pouco além da conta sabe que tenho o maldito costume de ir nos lugares apenas para xeretar os hábitos alheios. Desta vez, enfronhei-me no berço do high society -ou nem tanto- a fim de ver como essa gente se comporta no Teatro Municipal.
A Cinelândia, pós-derrota do Brasil para a França, estava às moscas. No caminho para lá, torcedores alterados cismavam com meu vestido vermelho e meu sobretudo. The brazilian people não se conforma...
À chegada, aquela coisa linda de sempre do teatrão carioca: imponente, tradicional, chique. A Orquestra Sinfônica Brasileira executou sinfonias de Borodin e Tchaikovsky de maneira primorosa. E, aqui à parte, havia uns músicos bem interessantes...
Pois que um garoto pentelho sentou ao meu lado com a avó. O moleque fez todos os barulhos possíveis. Espirrou, tossiu, chupou bala ruidosamente, bateu palmas antes do tempo, imitou pum...Eu, que estava com um salto alto imenso, já estava com vontade de pisar o pezinho do menininho infeliz, mas me contive.
Depois do espetáculo, os organizadores do concerto, num oferecimento aos leitores de "O Globo", patrocinaram, por assim dizer, um coquetel regado a Chandon e canapezinho de salmão.
Uma mocinha requintada reclamava que o povo avançava na comida:
- Cruzes!!!Esse pessoal parece que nunca comeu!!! Também pudera! Há todo tipo de classe social- disse a rapariga, vestida de preto dos pés a cabeça, com um colar de pérola belíssimo ao pescoço.
Opinião semelhante compartilhou uma senhora de uns 70 anos.
- No meu tempo, não era assim. Esta tudo muito misturado!- reclamou.
No outro canto do teatro, perto das Chandon, onde fiquei evidentemente, um cidadão acompanhado ficava me tirando com os olhos. Fingi não ser comigo e tratei de pegar mais uma taça de bebida. Arrumar confusão com os outros não é nada bom a uma jornalista.
Ademais, a noite terminava linda, ao som do metrô da Cinelândia chegando.
A vida passa. E compassa. Novamente.
28/06/2006 23:19 Real e oficial “É o senhor quem faz “aulas-show?, perguntou uma jovem e desavisada repórter a Ariano Suassuana, na porta do Teatro Plínio Marcos, em Brasília, onde o escritor conversaria com estudantes. Resposta: “Não, senhora. Eu faço aulas-espetáculo. No sertão do Taperoá, onde nasci, as mulheres usam essa interjeição que a senhora disse para espantar galinhas: Xô, galinha! Xô galinha!”
(Coluna do Márcio Moreira Alves, O Globo, 17/05/02)
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Biologia feminina é tudo!
“Há menininhas que têm celulite na cabeça, quase um mioma” – professora de português universitária. In: Gotas de sabedoria da Uerj.
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Campanha
O Lentium aqui de casa está colaborando comigo ultimamente. Consigo até escrever textos no Word! Olha que fantástico! Se você deseja participar da campanha “Basta de Lentium. Computador novo já”, mande um e-mail para acanejo@hotmail.com, para eu lhe enviar o número da minha conta. Ms. Canejo irá inclui-lo no caderninho dela. Assim, logo que puder, fará cumprir a palavra de pagar um chopp a você. Só não sabe quando.